Cinema

Supergirl (2026): O Amanhã da DC é Brilhante, mas Ainda Busca seu Norte

O aguardado Supergirl (2026), de Craig Gillespie, promete ser o sopro de novidade que o DCU precisava. Com Milly Alcock, a adaptação de Tom King subverte a imagem clássica e otimista da heroína.

Aqui está uma análise crítica do que funcionou, do que tropeçou e do que isso significa para o futuro deste novo universo compartilhado.

O Acerto: A Abordagem “Space Western”

A escolha de Gillespie para a direção transparece na estética e na atitude do filme. Ao contrário da ‘garota de ouro’ que vimos em encarnações anteriores, a Kara de Alcock apresenta-se niilista e cínica, sendo, acima de tudo, marcada pelo trauma de ter visto seu planeta definhar enquanto esperava por um resgate que nunca veio.

Essa faceta “punk” da personagem é o coração pulsante do filme. O tom de “faroeste espacial” — uma jornada de vingança através de planetas inóspitos — é refrescante. Ver a Supergirl não como um pilar de esperança, mas como alguém que precisa redescobrir o propósito em meio ao luto, oferece uma profundidade psicológica que poucas adaptações de super-heróis se atrevem a explorar hoje em dia.

O Ponto de Tensão: A Mistura de Tons

Nem tudo são flores, e as críticas mistas que o filme tem recebido não são por acaso. O maior desafio de Supergirl parece ser o equilíbrio tonal. Se em um momento estamos imersos em uma jornada sombria de vingança, por outro lado, o filme tenta injetar um humor quase caricato ou momentos de ‘aw-shucks’ (típicos de um Superman clássico); no entanto, tais inserções acabam por parecer, ocasionalmente, deslocadas do tom seco da protagonista.

Essa dicotomia — entre o drama pesado da busca por Krem de Yellow Hills e a irreverência de personagens como Lobo — deixa a sensação de um filme indeciso sobre sua própria identidade. É uma obra que quer ser um true grit espacial, mas que se sente na obrigação de ser um “filme de super-herói da Marvel/DC” com alívios cômicos forçados.

A Atuação: Milly Alcock se Consagra

Se há um consenso, é que Milly Alcock entrega tudo o que lhe foi pedido e um pouco mais. Sua Kara é magnética, perigosa e profundamente triste. Ela consegue transmitir a amargura de uma mulher que perdeu tudo, sem perder a faísca de força que a torna uma heroína. Se o público decidir abraçar este filme, será quase inteiramente por causa da presença de tela de Alcock.

Veredito: ODCU em Construção

Supergirl não é o “clássico instantâneo” que alguns esperavam, mas também não é o desastre que os detratores do novo DCU torciam para ver. É um filme corajoso, com falhas de ritmo, mas que aponta para um caminho interessante: a vontade de contar histórias com tons variados dentro de um mesmo universo.

O filme cumpre seu papel de expandir o cosmos da DC, afastando-se da Terra e focando em dilemas mais galácticos e pessoais. Para quem busca uma heroína menos convencional e mais complexa, Supergirl é um passo sólido — ainda que um pouco cambaleante — na direção correta.

Nota: 7/10

O que você acha? A ideia de uma Supergirl mais “bruta” e cínica combina com a personagem, ou você prefere a versão clássica e otimista dos quadrinhos tradicionais?

Veja o trailer do filme: